✓ Link copiado!
A
A

Reflexões junto a um grupo de Pais

Ouça agora
Getting your Trinity Audio player ready...

Hoje, gostaria de me dirigir a você pai, mãe, avó, avô, cuidador que lida diariamente com os desafios da criação de filhos, conciliando responsabilidades, expectativas e, muitas vezes, o cansaço físico e emocional. Sejam crianças pequenas, adolescentes ou ambos ao mesmo tempo, sei que o esforço é constante para oferecer o melhor.

Talvez você já tenha se pego dizendo frases como: “Meu filho não me escuta.” “Só me responde de forma ríspida.” “Já tentei de tudo…”
Essas queixas são bastante comuns. Mas e se eu lhe dissesse que muitos desses impasses não dizem respeito apenas ao comportamento dos filhos, mas estão profundamente conectados a nós mesmos?

Pode parecer uma afirmação desconcertante à primeira vista, mas convido você a refletir: quantas vezes você já se viu reagindo com impaciência, agindo com raiva, ou repetindo aquelas mesmas frases que detestava ouvir dos seus próprios pais?

Recentemente, em um grupo de conversa com pais e mães, propus uma pergunta simples:
“Vocês se lembram de alguma frase que seus pais costumavam dizer e que vocês odiavam ouvir?”
As respostas surgiram prontamente.
O mais impressionante foi perceber quantas pessoas identificaram que, sem perceber, repetem hoje as mesmas expressões com o mesmo tom, com a mesma carga emocional.

Em seguida, lancei outra provocação:
“Como você se sente ao dizer isso? Consegue se lembrar da sensação ruim que essas palavras causavam na infância?”
Agora, tente imaginar como seu filho se sente ao escutá-las.

Essa reflexão não tem o objetivo de gerar culpa, mas sim promover consciência. Afinal, não é possível transformar aquilo que ainda não conseguimos enxergar.

Se fosse necessário resumir tudo isso em uma única ideia, eu diria:
Para melhorar a relação com seu filho, é preciso começar por um olhar mais cuidadoso e afetuoso para dentro de si.

Agende uma consulta clicando no botão abaixo

A conversa então avançou para uma questão ainda mais profunda:
Há muitos pais e mães tentando conduzir seus filhos enquanto, internamente, sentem-se confusos, esgotados, sobrecarregados por culpa, mágoas, inseguranças. E, em meio a esse turbilhão emocional, procuram educar.

Mas como orientar alguém, se não se sabe ao certo onde se está?

Foi nesse momento que utilizei uma metáfora simples: somos como um GPS.
Se não soubermos onde estamos, o GPS não consegue traçar um caminho possível.
Com as emoções, ocorre exatamente o mesmo.

E então deixei no ar uma pergunta fundamental:
“Você sabe onde está, emocionalmente, neste momento?”

Em seguida, propus que cada um lembrasse de um desafio vivido com os filhos e, mais importante: o que funcionou naquela ocasião? Uma escuta mais atenta? Uma conversa mais tranquila? Uma pausa antes de reagir?

Foi nesse ponto que surgiu um importante insight:
Já possuímos recursos internos. O que muitas vezes falta é lembrar de acessá-los.

Enfrentar dificuldades faz parte do processo. Não existe pai ou mãe perfeito. E está tudo bem não saber o que fazer o tempo todo.

A partir disso, lancei algumas perguntas que provocaram silêncio e emoção:
“Quem é o pai ou a mãe real que você é hoje? E quem é aquele pai ou mãe ideal que você imaginava ser?”
“E seu filho? Quem é o filho real que você tem… e em que aspectos ele difere daquele que você sonhava?”

Nesse instante, foi possível perceber olhares marejados, pois ficou evidente o quanto cobramos de nós mesmos uma perfeição inatingível: filho perfeito, casa perfeita, educação perfeita…

Mas a vida real segue outros caminhos.

E então veio mais uma questão significativa:
“O que está sendo difícil de aceitar no seu filho real? E em você, enquanto pai ou mãe?”

Mesmo em silêncio, muitos sentiram o impacto dessas palavras.
É urgente cessar a autocrítica excessiva.
É preciso amar o filho verdadeiro e não aquele idealizado.
E também se aceitar com erros, acertos e tentativas.

Agende uma consulta clicando no botão abaixo

Quanto ao conceito de “errar”, confesso que prefiro reformulá-lo.
Para mim, trata-se de receber feedback da vida.
Se algo não funcionou, ajusta-se a rota. E segue-se em frente. É assim que aprendemos.

O momento mais emocionante daquela noite veio a seguir.
Convidei todos a fecharem os olhos, respirarem profundamente e imaginarem a seguinte cena:
Seu filho, daqui a 10, 15, 20 anos… já adulto… entra em casa, olha em seus olhos, dá um abraço apertado e diz:
“Obrigado por tudo.”

Então perguntei:
“O que você precisa fazer até lá para aumentar a chance de ouvir essa frase?”
“E o que já pode começar a ser feito hoje para que isso aconteça?”

Silêncio. Emoção. Reflexão.

São perguntas que raramente nos fazemos e que, justamente por isso, tocam tão fundo.

Deixei, então, o recado mais importante da noite:
O maior presente que você pode oferecer ao seu filho não é um novo celular, uma viagem cara ou o brinquedo do momento.
É a sua própria evolução.

Um pai, uma mãe que se conhece, que se cuida, que enfrenta suas dores e tenta agir com mais consciência…
Essa pessoa educa com firmeza, com afeto e colhe os frutos disso em forma de abraços, gestos de carinho, e uma conexão que resiste ao tempo.

Por isso, se você está lendo ou ouvindo estas palavras agora, guarde este lembrete:
Pare de se cobrar tanto.
Reconheça o que sente.
Relembre o que já funcionou.
E ame seu filho, e a si mesmo, exatamente como são.
É nesse encontro com o real que a vida, de fato, acontece.

Afinal, a vida não precisa seguir o roteiro de um conto de fadas.
Mas pode, sim, tornar-se uma história genuinamente bonita com desafios, aprendizados e um amor que transforma.

Agende uma consulta clicando no botão abaixo

Pesquisar

Artigos

Deixe sua mensagem